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1º Trimestre de 2011 - Lição 13

Paulo Testifica de Cristo em Roma

TEXTO ÁUREO

Na noite seguinte o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: "Coragem! Assim como você testemunhou a meu respeito em Jerusalém, deverá testemunhar também em Roma". (At 23.11).

VERDADE PRÁTICA

A principal e a mais urgente missão da Igreja é a evangelização de todos os povos e nações.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 27.18-25

18 - E, andando nós agitados por uma veemente tempestade, no dia seguinte aliviaram o navio.
19 - E ao terceiro dia nós mesmos, com as nossas próprias mãos, lançamos ao mar a armação do navio.
20 - E, não aparecendo, havia já muitos dias, nem sol nem estrelas, e caindo sobre nós uma não pequena tempestade, fugiu-nos toda a esperança de nos salvarmos.
21 - E, havendo já muito que não se comia, então Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse: Fora, na verdade, razoável, ó senhores, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e assim evitariam este incômodo e esta perda.
22 - Mas agora vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá a vida de nenhum de vós, mas somente o navio.
23 - Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo,
24 - Dizendo: Paulo, não temas; importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo.
25 - Portanto, ó senhores, tende bom ânimo; porque creio em Deus, que há de acontecer assim como a mim me foi dito.

I. INTRODUÇÃO


Paulo, em Roma, permaneceu em prisão domiciliar por dois anos. Tinha licença de receber visitas, às quais pregava o evangelho. Paulo discutiu com os judeus em Jerusalém os quais o acusaram de profanar o Templo (At 21.26-34). Ele foi posto sob custódia romana em Cesaréia durante dois anos, mas após apelar para César, foi enviado por navio a Roma. Após deixar a ilha de Creta, os companheiros de Paulo naufragaram em Malta devido a uma forte tempestade. Três meses depois, ele finalmente chegou à capital do império. O que aconteceu a Paulo depois, segundo geralmente se crê, é o que se segue: durante esses dois anos, Paulo escreveu as Epístolas aos Efésios, Filipenses, Colossenses, e a Filemom. Em 63 d.C., aproximadamente, Paulo foi absolvido e solto. Durante uns poucos anos continuou seus trabalhos missionários, e talvez tenha ido até à Espanha, conforme planejara (Rm 15.28). Durante esse período, escreveu 1 Timóteo e Tito. Foi preso de novo cerca de 67 d.C., e levado de volta a Roma. 2 Timóteo foi escrita durante esse segundo encarceramento em Roma. A prisão de Paulo só terminou ao ser ele decapitado, sofrendo o martírio sob o imperador romano Nero. Boa aula!


II. DESENVOLVIMENTO


I. VIAGEM DE PAULO A ROMA (At 27.1-28-10)


Paulo não reconhece nenhuma das acusações feitas a ele pelos judeus. Paulo na verdade, podia-se considerar um fariseu, zeloso da lei moral do AT (21.24). Mesmo assim, Paulo não guardava a Lei como um conjunto de códigos ou padrões mediante o qual se tornaria justo. Como ensinou em suas epístolas, uma vida justa requer a obra do Espírito Santo no coração e na alma do crente. Paulo, cônscio de sua missão, como havia recebido ordens do Senhor para testemunhar do Evangelho em Roma, Clama pelo tribunal de César. Cidadão romano, tinha ele o direito de apelar para César, e tomada a resolução ninguém poderia revogar. Como era dos desígnios de Jesus que Paulo seguisse para Roma, onde teria que dar testemunho da sua Palavra, após a visita do rei Agripa a Cesaréia, o Governador Festo fê-lo seguir para a Itália. Pode-se avaliar como as viagens por mar eram perigosas pelo exemplo desta viagem – a quarta viagem missionária de Paulo. Os passageiros eram na realidade adições à carga transportada, proviam sua alimentação e não havia acomodações a bordo para dormirem (At 21.3,7,8). Navegar, só em determinadas épocas do ano, havia uma lei romana que proibia viagens no período entre 10 de novembro e 10 de março. At 28.11 se refere a um barco que foi apanhado no mar em um período perigoso. Ele passou o inverno em Malta. Paulo viajou num navio graneleiro alexandrino, carregado e que estava a caminho de Roma (At 27.6)

1. De Cesareia a Roma (27.1-44).

Esse é o início da quarta viagem missionária de Paulo, ainda que preso, contudo cônscio de sua missão: levar o evangelho a Roma. Diz Lucas, o qual também fez parte do comitê de viagem, que Paulo e alguns outros presos foram entregues a um centurião da coorte Augusta, chamados Júlio, o qual tratou muito bem o Apóstolo, permitindo-lhe em Sidon ir ver os seus amigos e receber deles bom acolhimento. “Eles embarcaram em Cesaréia, num navio de Adramitio, que seguia a costear as terras da Ásia. Aristarco, macedônio de Tessalônica os acompanhou. Aportaram em Sidon, dali seguiram a sotavento de Chipre, por serem contrários os ventos, e tendo atravessado o mar que banha a Cilícia e a Panfília, chegaram a Mirra, cidade da Lícia. Aí o centurião, encontrando um navio de Alexandria que estava de viagem para a Itália, fez com que embarcassem. Navegaram vagarosamente por vários dias e tendo chegado com dificuldade à altura de Cnido, não permitindo o vento seguirem viagem, navegaram a sotavento de Greta, na altura de Salmone; e costeando com dificuldade, chegaram a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laséa”. Essa viagem, como se vê, foi muito demorada, os ventos não eram favoráveis e tudo parecia difícil.

2. Paulo na Ilha de Malta (At 28.1-10).

Malta (grego Melita; significa Refúgio em língua fenícia), é formada por um pequeno arquipélago situado no mar Mediterrâneo: Malta (a maior das ilhas), Gozo, Comino, e as desabitadas Cominotto e Filfla. Situa-se a 93km ao sul da Sicília, a 290km ao norte da Líbia e a cerca de 290km a leste de Túnis. As ilhas têm uma superfície total de 316km2. Esse naufrágio na ilha de Malta não foi a primeira vez que Paulo correu risco de vida no mar. Poucos anos antes, ele escreveu: “Três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no profundo.” Disse também que havia corrido “perigos no mar”. (2Co 11.25-27). As viagens marítimas o ajudaram a cumprir a função que Deus lhe deu como “apóstolo para as nações” (Rm 11.13). A passagem de Atos 28.2,4 chama os habitantes da ilha de bárbaros; mas isso significa, meramente, que eles não falavam o grego, ou, pelo menos, que o grego não era a língua nativa deles, embora talvez compreendessem bem o grego, segundo também se verificava na maior parte do mundo antigo, dentro e mesmo fora do império romano, naquela época. Os habitantes de Malta falavam um dialeto fenício, também chamado púnico. Públio um dos chefes da ilha, chamado no sétimo versículo deste vigésimo oitavo capítulo de «homem principal», provavelmente, derivava a sua autoridade do propraetor da Sicília. O título que é conferido aqui a ele (no grego, protos), é confirmado por muitas inscrições.

3. Paulo chega a Roma (Mt 28.11-15).

Paulo tinha o desejo de pregar o evangelho em Roma (Rm 15.22-29), e era da vontade de Deus que ele assim o fizesse (23.11). Quando, porém, chegou ali, estava algemado e ainda assim depois dos reveses, tempestades, naufrágio e muitas outras provações. Eles tinham que esperar três meses em Malta até que a temporada de navegação começasse, a partir de fevereiro. Note que o emblema do navio no qual embarcaram era Castor e Pólux, (em grego Dióscuros: “os gêmeos”, filhos de Zeus), as divindades patronas da navegação. Este era outro navio cargueiro que transportava grãos da África para a Itália. Embora Paulo fosse fiel, Deus não lhe proveu um caminho fácil e livre de problemas. Nós, da mesma forma, podemos estar na vontade de Deus, ser inteiramente fiéis a Ele, e mesmo assim sermos dirigidos por Ele através de caminhos desagradáveis, com aflições. No meio de tudo isso, sabemos, porém, que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). Navegaram os 120 quilômetros até Siracusa, capital da Sicília, sem incidentes de nota e ali permaneceram por três dias. Continuando viagem, pararam por um dia em Régio, e, aproveitando o vento favorável seguiram até Potéoli, principal porto de Roma, no litoral norte da baía de Nápoles, a cerca de trezentos quilômetros de distância. Ali encontraram irmãos cristãos. A seu convite tiveram oportunidade de passar uma semana com eles, antes de continuar a sua viagem de duzentos e cinquenta quilômetros por terra até Roma, numa das grandes estradas construídas pelos romanos através da Europa.


II. O EVANGELHO É PROCLAMADO NA CAPITAL DO IMPÉRIO (AT 28.16-31)


De 60 a 62 a.C., Paulo esteve sob prisão domiciliar pregando e ensinando a qualquer um que quisesse ouvir, enquanto aguardava o julgamento perante Nero. Talvez Paulo houvesse esperado ser inocentado e solto (Fp 1.25; 2.24; Fm 22). Paulo tinha a firme convicção de que a mensagem do Evangelho deveria seguir no seu livre curso, sem impedimento algum, em triunfo. Mesmo em cadeias, o missionário não deixou de “ensinar, exortar e consolar a tempo e fora de tempo”.

1. Prisão domiciliar (28.16).

Quando chegaram a Roma, o Centurião o entregou ao prefeito do pretório. Paulo recebeu a permissão de se alojar fora do campo pretoriano, é o regime especial da custodia militaris: o prisioneiro arranja um alojamento por conta própria, mas deveria ter o braço direito sempre ligado, por uma corrente, ao braço esquerdo do soldado que o vigiava [1]. Como cidadão romano que não havia cometido nenhuma ofensa flagrante e que não tinha aspirações políticas contrárias ao império, Paulo cumpre essa prisão domiciliar. Paulo morava em sua própria casa alugada, onde podia receber seus amigos e ministrar para grupos tais como os judeus romanos.

2. Apologia entre os judeus (28.17-22).

A comunidade judaica de Roma nada tinha ouvido a respeito de Paulo de Tarso, mas já haviam ouvido relatos negativos sobre a seita do Caminho. David H Stern afirma que esses líderes judeus tinham a mente muito aberta, mais do que os de hoje normalmente têm [2]. Paulo objetivou regularizar sua situação o mais depressa possível diante da comunidade judaica de Roma. Faz um resumo do seu processo e protesta pela última vez sua fidelidade ao judaísmo. O procedimento de Paulo com esses líderes foi o mesmo adotado com o povo judeu de todos os lugares: ele apelou à Tanakh, usando tanto á torah quanto os profetas a fim de persuadi-los acerca de Jesus e o reino de Deus. Alguns converteram-se mas outros recusaram-se a crer.

3. Progresso do evangelho em Roma (28.23-31).

A partir do capítulo 1.8 vemos que a intenção de Atos foi a de mostrar que o evangelho se espalharia até os confins da terra, alcançando os goiym. A nova crença disseminou-se de Jerusalém a Roma, a capital do império. Os romanos eram politeístas, grande parte dos deuses romanos foram retirados do panteão grego, porém os nomes originais foram mudados. Muitos deuses de regiões conquistadas também foram incorporados aos cultos romanos. Os deuses eram antropomórficos, possuindo qualidades e defeitos humanos, além de serem representados em forma humana. Além dos deuses principais, os romanos cultuavam também os deuses lares e penates. Estes deuses eram cultuados dentro das casas e protegiam a família. Os principais deuses romanos eram Júpiter, Juno, Apolo, Marte, Diana, Vênus, Ceres e Baco. Em Roma, Paulo dirige a mensagem primeiro aos de sua raça, depois aos gentios, e assim, a chegada de Paulo a Roma consuma um programa de evangelização (Lc 24.47; At 1.8), originando uma nova expansão do cristianismo a partir da capital do mundo.


III. CONCLUSÃO


Não se sabe ao certo e o NT não indica de modo claro o que aconteceu depois deste período. Geralmente os estudiosos aceitam que Paulo fora liberto, talvez através de um ato de clemência aos quais Nero não era estranho. Se assim foi, Paulo pode então concretizar seu desejo de ir até a Espanha (Rm 15.24). Uma fonte segura afirma que Paulo fora martirizado em Roma sob Nero, em 64 ou 65 d.C. Assim, a proclamação do evangelho até aos confins da terra, chegou a uma etapa que, sem ser derradeira (Rm 15.23-24) é contudo, definitiva (28.31).

1º Trimestre de 2011 - Lição 12

As Viagens Missionárias de Paulo









TEXTO ÁUREO

"E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado." (At 13.2).

VERDADE PRÁTICA

A expansão da igreja é um processo que envolve a ação do Espírito Santo e a obediência irrestrita do crente ao mandato evangelístico de Jesus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 13.1-5; 46-49

At 13. 1 - Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo.

2 - Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: "Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado".

3 - Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram.

4 - Enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.

5 - Chegando em Salamina, proclamaram a palavra de Deus nas sinagogas judaicas. João estava com eles como auxiliar.

At 13. 46 Então Paulo e Barnabé lhes responderam corajosamente: "Era necessário anunciar primeiro a vocês a palavra de Deus; uma vez que a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, agora nos voltamos para os gentios.

47 - Pois assim o Senhor nos ordenou: ‘Eu fiz de você luz para os gentios, para que você leve a salvação até aos confins da terra’ ".

48 - Ouvindo isso, os gentios alegraram-se e bendisseram a palavra do Senhor; e creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna.

49 - A palavra do Senhor se espalhava por toda a região.



I. INTRODUÇÃO

Paulo é considerado o maior missionário do Cristianismo, pelo muito que realizou em pouco tempo. Dominando as principais línguas do Império, possuidor de uma vasta e invejável cultura tanto secular quanto religiosa, cidadão romano com ‘passe livre’ por todo o império. Expôs a nova doutrina no Areópago aos filósofos estóicos, em Atenas, na ilha de Malta, onde ganhou todos os habitantes para Jesus, aos habitantes da Ásia Menor e até Roma. Realizou quatro viagens missionárias, levando-se em conta que, ao ser enviado preso para Roma, em todos os portos em que o navio aportava, aproveitava para disseminar o Evangelho. A maior parte do mundo conhecido foi alcançada. Uma excelente e abençoada aula!

1. A PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (At 13-14)

1. De Antioquia a Chipre (At 13.1-12).

O ponto de partida da primeira viagem de Paulo foi Antioquia da Síria (é a moderna Antakya, na Turquia. Atualmente é um sítio arqueológico). Antioquia ocupa um importante lugar na história do cristianismo. Foi onde Paulo pregou o seu primeiro sermão (numa sinagoga), e foi também onde os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez de Cristãos (At 11.26). Barnabé e Marcos o acompanharam, tendo embarcado na cidade portuária de Selêucida. Chegando na ilha de Chipre, terra natal de Barnabé, anunciam a Palavra de Deus nas Sinagogas de Salamina, cruzam toda a ilha até Pafos, onde Paulo pregou para o procônsul Sérgio Paulo e onde Elimas, o mágico, se opôs a pregação do Evangelho.

2. De Chipre a Antioquia da Pisídia (At 13.13-52).

Saindo da Ilha de Chipre, partiram em direção à Galácia do Sul (Psídia e Licaônia), no continente, passando por Perge, na Panfília, lugar de separação da equipe, quando João Marcos, assustado com a hostilidade daquele povo, retornou para Jerusalém. De Perge, rumaram para Antioquia da Psídia, que na verdade, não se encontrava na Pisídia, e, sim na Frigia e por ficar próxima da fronteira com a Pisídia, recebeu este nome a fim de distinguí-la da outra Antioquia, da Síria. Era uma colônia e um posto militar avançado dos romanos, sendo a cidade mais importante da Galácia do Sul.

3. De Icônio ao regresso a Antioquia (At 14.1-28).

Expulso de Antioquia da Psídia, Paulo segue para Icônio, onde enfrenta rígida oposição tanto de judeus quanto de gentios. Partiram rumo à Licaonia e fundaram as igrejas de Listra e Derbe. Foi em Listra, onde através de Paulo, um coxo fora curado (14.8-10). Isso chamou a atenção das multidões e Paulo aproveitou o momento para anunciar o Evangelho. Aqui, os missionários são confundidos com Zeus (na mitologia grega, é o rei dos deuses, soberano do Monte Olimpo e deus do céu e do trovão) e Hermes (um dos deuses olímpicos, filho de Zeus e de Maia, e possuidor de vários atributos). Os judeus de Antioquia da Psídia e de Icônio o atacaram e ele foi arrastado da cidade, quase morto (At 14.19). Depois disto, Paulo e Barnabé partiram para Derbe e de lá para a Igreja que os enviara, Antioquia da Síria, confirmando antes as igrejas em Listra, Icônio e Antioquia da Psídia (14.22), estabelecendo pastores nativos em cada uma delas. Finda assim, a primeira viagem missionária, que durou cerca de dois anos e cujo relato de Lucas, ocupa os capítulos 13 e 14 de Atos.

2. A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA (At 15.36-18.28)


1. Em direção à Ásia (15.36-16.8).

Depois do Concílio de Jerusalém, Paulo resolve executar outra viagem com os objetivos de visitar as igrejas fundadas na primeira missão e abrir outros campos de trabalho. Houve entre os missionários uma pendenga acerca de João Marcos, sobrinho de Barnabé, cuja participação nessa viagem foi não foi aceita por Paulo causando a separação apesar de terem continuado amigos. Paulo forma nova equipe, dessa vez com Silas e já em Listra, Timóteo junta-se a eles. Nessa segunda missão, Paulo viaja por terra, saindo de Antioquia da Síria em direção à Ásia Menor (atual Turquia). Atravessou a Cilícia, região onde se situava Tarso, sua terra natal [não existe registro de que Paulo tenha desempenhado algum papel missionário em sua terra natal], seguindo para Derbe, Listra, Icônio e Antioquia da Psídia, confortando os novos crentes na fé e comunicando a decisão do Concílio de Jerusalém. O trio de missionários atravessam a região frígio-gálata [onde o Espírito Santo os impede de anunciar o evangelho – At 16.6]. Seguiram para Mísia e tentaram rumar à Bitínia, mas também o Espírito Santo não os permitiu (At 16.7). Toda a iniciativa no evangelismo e na atividade missionária, especialmente no caso das viagens missionárias registradas em Atos, deve ser orientada pelo Espírito Santo, como vemos em 1.8; 2.14-41; 4.8-12,31; 8.26-29,39,40; 10.19,20; 13.2; 16.6-10; 20.22

. A orientação aqui, pode ter ocorrido em forma de uma revelação profética, de um impulso interior, de circunstâncias externas, ou visões (vv. 6-9). Pelo impulso do Espírito, avançavam para levar o evangelho aos não salvos. Quando o Espírito os impedia de ir numa direção, iam noutra, confiando nEle para aprovar ou desaprovar seus planos de viagem[1].

2. Em direção à Europa (16.12-18.18).

Em Trôade [antiga Tróia da Ilíada de Homero], Paulo tem uma visão em que alguém lhe dizia: ‘Passa à Macedônia e ajuda-nos!’ (16.9). Em Trôade, a equipe ganha o reforço de Lucas. Da Ásia Menor, navegaram por dois dias em direção à Macedônia, a primeira região da Europa a ser visitada pelo apóstolo Paulo nesta sua segunda viagem missionária. Depois de chegar a Neápolis, o porto de Filipos, no nordeste da Macedônia, colônia romana e uma das principais cidades da Macedônia. Com essa visita, Paulo fundou a primeira igreja européia. A igreja fora organizada na casa de Lídia, rica comerciante vendedora de púrpura. Aqui, a cidadania romana de Paulo foi desrespeitada quando preso por libertar uma cativa de Satanás. Parece que Lucas permaneceu em Filipos quando Paulo, Silas e Timóteo percorreram as cidades macedônias de Anfípolis (uns 50 km de Filipos) e Apolônia (uns 50 km de Anfípolis). A seguir, Paulo visitou respectivamente as cidades macedônias de Tessalônica (uns 60 km de Apolônia), a principal cidade da Macedônia, com uma população constituída de gregos, romanos e judeus. Por três semanas pregou na sua sinagoga e por causa da perseguição, rumou para Beréia (uns 80 km de Tessalônica). Os bereanos foram mais receptivos e Paulo, na sinagoga, anuncia o Evangelho e não demorou muitos para os judeus de Tessalônica os perseguir também em Beréia e de lá tiveram que fugir às pressas e sozinho, indo para Atenas, deixou Silas e Timóteo naquela localidade (At 17.1-12). O bom relatório que Timóteo trouxe, ao retornar, induziu Paulo a escrever a sua primeira carta aos tessalonicenses (1Ts 3.6; At 18.5). A sua segunda carta aos tessalonicenses seguiu-se pouco depois.

3. Regresso.

Paulo agora navega para Atenas, o centro cultural do mundo grego, onde se encontra com os filósofos estóicos e epicureus e defende o Evangelho no areópago, resultando numa pequena igreja. De lá, rumou para Corinto, na Acaia e por um ano e meio ensinou a Palavra de Deus. Morou na casa de Áquila [judeu do Ponto, expulso de Roma por determinação de Cláudio] e sua mulher Priscila. De Corinto, parte para Cencréia, a cidade portuária, de onde rumou para sua base, com breve parada em Éfeso, navegando em seguida rumo à Cesaréia, de onde seguiu para Jerusalém e depois Antioquia da Síria (18.22). É o fim de sua segunda viagem missionária.


3. TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (At 18.23-28.31)


1. De Antioquia a Macedônia (18.23-20.3).

Paulo inicia a terceira viagem partindo de sua base em Antioquia da Síria, como fez das outras vezes. Lucas omite detalhes dessa trajetória até chegar em Éfeso, capital da Ásia Menor e mais importante cidade da região devido seu posicionamento geográfico onde cruzavam-se importantes rotas comerciais. Era o centro da adoração à Diana (Na Grécia, Ártemis ou Artemisa) e seu templo, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Poe Éfeso havia passado Apolo, discípulo de Áquila. Paulo encontrou lá uma comunidade de doze crentes que conheciam apenas o batismo de João (At 19.1-7). Novamente Paulo ruma em direção à Corinto onde passou três meses e de onde escreveu a Epístola aos Romanos em 58 d.C. De volta à Antioquia da Síria, passa por Filipos, na Macedônia até chegar a Mileto.

2. De Filipos a Jerusalém (20.6-21.17).

De Mileto, manda chamar os anciãos da Igreja em Éfeso e na praia local procedeu ao célebre discurso de despedida (20.17-38). Rumando à Cidade Santa, passa por Cesaréia e pela Fenícia.

3. Paulo em Jerusalém.

Pelo Espírito, Paulo é avisado dos perigos que o esperavam na Cidade Santa. O Espírito Santo não estava proibindo Paulo de ir a Jerusalém, pois era da vontade de Deus que ele fosse. Deus, porém, estava dando a Paulo um aviso: que muito sofrimento o aguardava na sua ida para lá. Provavelmente o Espírito disse aqui, em Tiro, o mesmo que dissera em Cesaréia (vv. 8-14). Paulo, porém, estava decidido e disposto até mesmo a morrer por amor do evangelho (vv. 10-14). Em Jerusalém, os crentes aceitaram Paulo, e ele falou com Tiago e os presbíteros sobre o trabalho entre os gentios (21.17-19). Os irmãos de Jerusalém comentaram com Paulo a respeito de algumas pessoas que tinham recebido informações de outras que ele estava tentando destruir os costumes da lei de Moisés, e sugeriram que ele fosse purificado no Templo com alguns outros homens, para mostrar que ele não era oposto às práticas judaicas (21.20-24); Paulo aceitou o conselho, e entrou no Templo com os outros homens para ser purificado (21.26; veja 1Co 9.20) e acaba preso no Templo. Defende-se diante do povo e do Sinédrio e é enviado para Cesaréia, onde se apresenta diante de Félix, Festo e Agripa II. Aqui temos o início de uma quarta viagem missionária, dessa vez, para Roma, por ter apelado para César na condição de prisioneiro romano.

4. CONCLUSÃO

Paulo não dispunha dos recursos que estão à disposição da Igreja hoje, mas realizou muito mais do que todos nós juntos. A pé ou em velhas e sujas embarcações, em perigos de salteadores, em naufrágios e em perseguições, mas em tudo isso, soube aproveitar as situações para a glória de Deus e alcançar os que haviam de ser salvos. Por tudo o que sofreu durante o seu ministério, tornou-se o modelo a ser seguido para todos nós.